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Posts Tagged ‘Solidão’

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Inferno do Infinito

Corvos grasnam no portão do inferno.(credo)
Em que me apresento não sei ao certo,
Mas, onde o leite da mãe se torna fel
E hão apenas sombras e chamas neste enevoado céu.
É inevitável pressupor que seria esse meu cenário e papel.

Pecados, desgraças e muitas maldições.
Carne, sangue, dores, lamentações.
Consigo ver, através do fogo, uma distorção.
Não há ligação no caos, presencio apenas solidão.

Algo rasga a pele, e atravessa a alma.
Feri-me em demasia, mas dessa pena não há pausa.
Não há gravidez, não há luz, nem mesmo uma faísca.
Desfrute da cegueira, da dúvida e invisíveis parasitas.
Que estupram evidentemente… tão evidentemente que não os sinta.

E não param os gritos, ruídos se tornam um acorde menor.
Espetando meus ouvidos com força inversa de ‘Cella door’.
O frio agora vem de dentro e estala meu eu a cada movimento.
Que ao monte, lágrimas escorrem de olhos brancos como um rio ao passo de congelar, petrificar, e em breve esboroar-se… (ao que nada seria à força do vento.)

Provoco bramidos, rugidos e urros de uma boca costurada.
Custa-me o fazer com a agonia que me dobra de longa data.
Onde sinto os dentes cairem garganta a dentro
E ruflo no chão tentando em vão tirar os acordamentos
Que de uma mão sem dedos desafina fora do tempo.

O gosto de fome já me formiga a roxa língua,
O hálito me sai pútrido e já sem vida,
O aborto do ventre reverbera em outros pontos do ente.
Sendo “em vão” a única idéia que lhe emerge à mente,
O resto são variações de uma sensação: dor, angústia, frutos dessa semente.

As deformações se multiplicam e a lepra me arranca a razão.
Tombam por terra os múltiplos adultérios da sensação.
O cheiro nauseante me afeta a mente.
Os terrores do corpo me afetam a mente.
Os gritos valquireses me afetam a mente.
A visão e o paladar em ilusão afetam a mente.

Tudo dentro de mim tenta ir para fora, e vice-e-versa por forçosa osmose
Mas não há sono! Descanso! Ou morte! Nessa… overdose!

Me embrulho em meu frágil íntimo.
Mas, o natural dessa realidade é demsiado cínico. (ínfimo)
Me violenta…
Me violenta.
Em frenética velocidade,
e em infinita lentidão… me abandono.

– Deus, me tire dessa matrioska última! – Não posso falar. Não posso fugir.
A fé está perdida, mas não preocupo-me, a razão também.
…/11/08
E doentiomente descubro a surdez das lágrimas.
Pois, grito e elas não cessam.
23/11/08

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Poderia ser

borboleta-negra

Poderia ser

Há uma expressão no chão,
Uma expressão sem definição,
Colorida e, talvez, em relevo.
Algo em meio ao cinza, em forma trevo.

Por pouco não piso à arte.
Por pena a sinto, quase tarde.
De sorte a verei novamente:
A expressão no chão, que aparece em minha mente.

Se era vida ou era morte,
Se era tinta que as borrem.
Eu não saberia…
Eu não saberia…

Há um história contada no chão,
Uma história em primeira ou terceira pessoa
Algo, uma coisa, uma manifestação
De uma gota de cor na cinza lagoa.

Não houve onda, não houve nada.
Era o caos em meio a massa.
Duraria mais algumas horas,
Até ser tomada como morta.

Se era vida ou era morte,
Se era tinta que as borrem.
Eu não saberia…
Eu não saberia…

Só sei que, em meio a esse céu, poderia ser estrela
Essa expressão no chão que, por sete dias, foi borboleta.

03/11/08

Paulo Übermensch

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