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Posts Tagged ‘Poesia’

Olhos Castanhos

Neles penetrei e vi a vida,
Numa profundidade infinita e mística,
Me mesclei, me fundi,
Confundi-me em seus olhos…

Oh, beleza rara!
Oh, jóia incomprável!
Desfruta os teus segredos
E mostra aonde leva a tua cor.

Tua vida, o teu mel,
Deixa-me provar.
Só nele sou,
Só nele posso ser… teu.

Há em mim um desejo por teus olhos
Nesta paisagem encantadora.
Oh, esfera em que orbito.
Oh, órbitas que contemplo.

Permite minha humilde adoração.
Permite a tangência que suplico.
Pois, neste amor que liga os olhares,
Vejo: – “Temos olhos castanhos!”

E não os feche quando morrermos.
Pois, neles estão nossa vida.
Se os fechar, não verei
E não terei guia no Além,

Ayune, meu olhos.

08/05/09

Por: Paulo Ubermensch

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Sonho

Numa noite sonhei que eu voava
E depois que eu estava na sala.
Logo, de baixo da terra, no fundo do mar.
Em cima da estante, na cama a planar.

A viagem noturna da alma é novo.
O sonho nos traga, lucida o tudo e o todo.
Há liberdade e, este, é o sentimento.
Explora-se um limite a cada sonho que tenho.

As cores e os sons são-nos estranhos.
E todo dormir é como sair de nossa mãe.
Não há peso e por vezes nem tamanho,
Sinto-me fora de qualquer razão que me apanhe.

Há descoberta, desvelamento, aléthea.
Me embriago com o todo e ele comigo.
Fazemos amor e essa paisagem não é estérea!
Estaciono aqui e me estendo ao infinito…

Acorde!
Isso também é realidade!

08/05/09

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A poesia além da palavra
É um silêncio sem sentido.
Sua molécula se soçobra.
E o nada agora orbita.

Tal é seu poder
Somente a quem canta.
Danço, canto e proso.
E, ainda assim, poesia.

A flauta sente o amargo
Da ausência de seus lábios
Que adoçariam o seu som
Na mais perfeita música.

As palavras não passam,
O sopro da alma só aquece.
E, quando pelo meus dedos,
– Ah como estarei embriagado!

Mas, cá, é a hora de escutar.
Silêncio!

30/04/09

Por: Paulo Ubermensch

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Céu nublado

Nos gestos, expressões e tons de voz
Cobria fútil a aquele que conhece o segredo.
Nas linhas do rosto, só eu via os nós.
E, nas maçãs do rosto, todo o enredo.

Por trás do sorriso, se via tristeza.
Mas não por haver algo.
E, sim, por estar vazio, sem defesa.
Sente a vertigem do alto.

Quando se tem consciência do sorriso
Não há mais passividade ou inocência.
E a inércia é o pecado do paraíso.
Assim o esboço perde parte da eficiência.

A máscara não é para os olhos, mas boca.
E, assim como nem a mais densa nuvem cobre o sol,
A luz das palavras está além de tal popa.
Agora silêncio! E não tente em vão o Sol!

A nuvem é falsidade.
E quem a sopra, falso.

Por: Paulo Ubermensch

03/04/09

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Tempo Congelado

 

 

Sob meus, profundo, há um buraco.

Pra fora apenas terra, areia de todo lugar.

Eu procurei cobrir a fissura com trabalho,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, extensa, há uma fenda.

Pra fora apenas água, chuva de todo lugar.

Eu procurei cobrir a erosão com emendas,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, imensurável, há um vale.

Pra fora apenas plantas, grãos de todo lugar.

Eu procurei cobrir a cratera com vontade,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

E, quando o vento chegou, não havia mais canyon.

Uma montanha altíssima se mostrava com nome de Apeíron.

Assim, quem quiser descobrir os mistérios que esconde não vendo,

Descobrirá o segredo do amor enterrado pelo tempo…

 

 

27/03/09

 

Por: Paulo Ubermensch

 

E cá há onde o especial se perdeu.

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Focinho

Quando o ódio flamejava intensamente
Eu cheguei perto e não vi nada.
Voltei e não tinha voltado.

Em seu devir, era vermelho ou amarelo
Tanto… só se foi em frente
Avançou o tempo e não existiu no presente.

A chama queimava o pavil da vela
De consumo infinito fez-se fumaça
Não achou mais um caminho, acabou-se em cera

Por Paulo Ubermensch
18/03/09

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Sorriso 02

De fato, é angustiante este pecado.
Distorceu-me a vontade, mudou-lhe o próprio lado.
O silêncio lhe sufoca pela falta d’desabafo.
E árduo é o segredo. É maior que a caixa que o guardo.

É vivo e se percebe dentro do peito
Se move, se mexe. Se mobiliza sem muito jeito.
E o seio quer fugir, quer estar em outro meio.
Mas o que sente, só lhe é de seu saber, seu próprio reino.

E mais ninguém saberá de seu segredo abraçado por costelas.
Sufocado por elas, fortes brancas horizontais feito celas.
Feitas de si mesmo, de seu próprio segredo e enredo.
Entrelaçam-se a si mesmo e dão um nó que inflige medo.

O que é seu, ninguém terá e, assim, é como uma moeda,
Para dentro tem coroa e para fora mostra a cara.
Desrima-se a si mesmo, mesmo sem saber.
No rosto tem sorriso, mas por dentro a coroa é de espinhos.

O desespero abatalhe a língua que, mesmo sorrindo, não se mostra.
A corda que enforca e acorda o próprio acorde do ser, voz vossa
Não se pronuncia com a vontade e seu desejo. Assim, expõe os dentes
Entre a mente que sente os espinhos da coroa e suas sementes.

O seu pecado é ter segredos
E não sorrir de felicidade.
Pois, a poesia da vida é rimar extremos.
Rimar o que há de verdade.

Mas eu sei, ainda somos pecadores.
Ainda continuamos a pecar isso…
Mas que ninguém saiba desses horrores,
Pois, ainda estamos por atrás do sorriso…

07/03/09

Por: Paulo Ubermensch

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