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Posts Tagged ‘Poema’

A poesia além da palavra
É um silêncio sem sentido.
Sua molécula se soçobra.
E o nada agora orbita.

Tal é seu poder
Somente a quem canta.
Danço, canto e proso.
E, ainda assim, poesia.

A flauta sente o amargo
Da ausência de seus lábios
Que adoçariam o seu som
Na mais perfeita música.

As palavras não passam,
O sopro da alma só aquece.
E, quando pelo meus dedos,
– Ah como estarei embriagado!

Mas, cá, é a hora de escutar.
Silêncio!

30/04/09

Por: Paulo Ubermensch

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Céu nublado

Nos gestos, expressões e tons de voz
Cobria fútil a aquele que conhece o segredo.
Nas linhas do rosto, só eu via os nós.
E, nas maçãs do rosto, todo o enredo.

Por trás do sorriso, se via tristeza.
Mas não por haver algo.
E, sim, por estar vazio, sem defesa.
Sente a vertigem do alto.

Quando se tem consciência do sorriso
Não há mais passividade ou inocência.
E a inércia é o pecado do paraíso.
Assim o esboço perde parte da eficiência.

A máscara não é para os olhos, mas boca.
E, assim como nem a mais densa nuvem cobre o sol,
A luz das palavras está além de tal popa.
Agora silêncio! E não tente em vão o Sol!

A nuvem é falsidade.
E quem a sopra, falso.

Por: Paulo Ubermensch

03/04/09

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Tempo Congelado

 

 

Sob meus, profundo, há um buraco.

Pra fora apenas terra, areia de todo lugar.

Eu procurei cobrir a fissura com trabalho,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, extensa, há uma fenda.

Pra fora apenas água, chuva de todo lugar.

Eu procurei cobrir a erosão com emendas,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, imensurável, há um vale.

Pra fora apenas plantas, grãos de todo lugar.

Eu procurei cobrir a cratera com vontade,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

E, quando o vento chegou, não havia mais canyon.

Uma montanha altíssima se mostrava com nome de Apeíron.

Assim, quem quiser descobrir os mistérios que esconde não vendo,

Descobrirá o segredo do amor enterrado pelo tempo…

 

 

27/03/09

 

Por: Paulo Ubermensch

 

E cá há onde o especial se perdeu.

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Focinho

Quando o ódio flamejava intensamente
Eu cheguei perto e não vi nada.
Voltei e não tinha voltado.

Em seu devir, era vermelho ou amarelo
Tanto… só se foi em frente
Avançou o tempo e não existiu no presente.

A chama queimava o pavil da vela
De consumo infinito fez-se fumaça
Não achou mais um caminho, acabou-se em cera

Por Paulo Ubermensch
18/03/09

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Sorriso 02

De fato, é angustiante este pecado.
Distorceu-me a vontade, mudou-lhe o próprio lado.
O silêncio lhe sufoca pela falta d’desabafo.
E árduo é o segredo. É maior que a caixa que o guardo.

É vivo e se percebe dentro do peito
Se move, se mexe. Se mobiliza sem muito jeito.
E o seio quer fugir, quer estar em outro meio.
Mas o que sente, só lhe é de seu saber, seu próprio reino.

E mais ninguém saberá de seu segredo abraçado por costelas.
Sufocado por elas, fortes brancas horizontais feito celas.
Feitas de si mesmo, de seu próprio segredo e enredo.
Entrelaçam-se a si mesmo e dão um nó que inflige medo.

O que é seu, ninguém terá e, assim, é como uma moeda,
Para dentro tem coroa e para fora mostra a cara.
Desrima-se a si mesmo, mesmo sem saber.
No rosto tem sorriso, mas por dentro a coroa é de espinhos.

O desespero abatalhe a língua que, mesmo sorrindo, não se mostra.
A corda que enforca e acorda o próprio acorde do ser, voz vossa
Não se pronuncia com a vontade e seu desejo. Assim, expõe os dentes
Entre a mente que sente os espinhos da coroa e suas sementes.

O seu pecado é ter segredos
E não sorrir de felicidade.
Pois, a poesia da vida é rimar extremos.
Rimar o que há de verdade.

Mas eu sei, ainda somos pecadores.
Ainda continuamos a pecar isso…
Mas que ninguém saiba desses horrores,
Pois, ainda estamos por atrás do sorriso…

07/03/09

Por: Paulo Ubermensch

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 Sorriso

O sorriso é a muralha mais forte,

Aponta o sul, mas por trás ruma ao norte.

Ele esconde as lágrimas que rezam por cair,

Ele é o abraço que protege o próprio ruir.

 

Por trás do sorriso não há felicidade,

Mas esconde-se mesmo assim por vontade.

E, por hábito, sabe que tem vergonha.

Pois, chora sozinho e sorri às pessoas.

 

Só tem os olhos que o sorriso não esconde.

Esguelham-se contra a parede branca o seu “onde”.

Por isso, quando sorrimos, procuramos fechar os olhos.

A parede se estica, a janela se fecha, pois por dentro choro.

 

O inferno se esconde num popular paraíso.

E ainda escondemos coisas por trás do sorriso.

 

22/02/09

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A Gota

Naufrago 03

 

A Gota
As ondas pıem em sua crista e depress„o uma nau perdida.
N„o que n„o se movimente, mas n„o h· mais remos para remar.
E pouco a pouco, vai preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…
O compasso do mar n„o marca tempo algum nesta embarcaÁ„o,
O fim j· lhe acometeu e n„o ser„o ‚ncoras que o atrasar„o.
E pouco a pouco, gota a gota vai preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…
As aves acima marcam seu perÌmetro na carne que j· È desfrutada.
Desfrutada das prÛprias unhas, que assam ao calor escaldante do sol.
E pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido vai preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…
A superfÌcie plana n„o permite tal nau se esconder sob o azul.
Vela e mastro j· jaziram a tempos demais para olhar acima e rezar.
E pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito vai preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…
A sede e a fome invocam a morte, mas ela ainda assiste ao espet·culo.
Espera a espreita atÈ de seu ˙ltimo suspiro pra poder o levar e dizer: – Calma, acabou…
E pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito, reza a reza vai preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…
A doenÁa È a ˙nica a abraÁar nesta solid„o e, enxergado o prÛximo destino, tremia…
Tanto que negava a forÁa das ondas e, em seu tempo – sua ˙nica coisa -, morria. 
E pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito, reza a reza, espasmos a espasmos v„o preenchendo o vazio desta nau.
Mas ela n„o se enche de fora, se enche de dentro e sem remos..
A nau se preencheu da ·gua salgada e, no silÍncio, o caix„o permitiu-se afundar sob o azul.
Enquanto as ˙ltimas bolhas de vida do corpo se esvaiam e fugiam para gemer, gritar, rezar, tremer…
A nau ia se esvaziando de tal vida e tal foi ao fim sua sina.
Neste cemitÈrio perfeito que, para todas as vidas que se v„o, j· est„o numa gota da l·grima de Deus.
Mas, para esta gota, n„o h· lenÁo.
13/02/09
Por: Paulo Ubermensch

 

As ondas põem em sua crista e depressão uma nau perdida.

Não que não se movimente, mas não há mais remos para remar.

E, pouco a pouco, vai preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…

 

O compasso do mar não marca tempo algum nesta embarcação,

O fim já lhe acometeu e não serão âncoras que o atrasarão.

E, pouco a pouco, gota a gota vai preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…

 

As aves acima marcam seu perímetro na carne que já é desfrutada.

Desfrutada das próprias unhas, que assam ao calor escaldante do sol.

E, pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido vai preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…

 

A superfície plana não permite tal nau se esconder sob o azul.

Vela e mastro já jaziram a tempos demais para olhar acima e rezar.

E, pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito vai preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…

 

A sede e a fome invocam a morte, mas ela ainda assiste ao espetáculo.

Espera a espreita até de seu último suspiro pra poder o levar e dizer: – Calma, acabou…

E, pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito, reza a reza vai preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos…

 

A doença é a única a abraçar nesta solidão e, enxergado o próximo destino, tremia…

Tanto que negava a força das ondas e, em seu tempo – sua única coisa -, morria. 

E, pouco a pouco, gota a gota, gemido a gemido, grito a grito, reza a reza, espasmos a espasmos vão preenchendo o vazio desta nau.

Mas ela não se enche de fora, se enche de dentro e sem remos..

 

A nau se preencheu da água salgada e, no silêncio, o caixão permitiu-se afundar sob o azul.

Enquanto as últimas bolhas de vida do corpo se esvaiam e fugiam para gemer, gritar, rezar, tremer…

A nau ia se esvaziando de tal vida e tal foi ao fim sua sina.

Neste cemitério perfeito que, para todas as vidas que se vão, já estão numa gota da lágrima de Deus.

 

Mas, para esta gota, não há lenço.

 

13/02/09

 

Por: Paulo Ubermensch

(Métrica e símbolos progressivos. Ênfase pela repetição de versos. Sem rimas. )

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