Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Inferno’

jose-benlliure-gil-1855-1937-barca-de-caronte1

Inferno do Infinito

Corvos grasnam no portão do inferno.(credo)
Em que me apresento não sei ao certo,
Mas, onde o leite da mãe se torna fel
E hão apenas sombras e chamas neste enevoado céu.
É inevitável pressupor que seria esse meu cenário e papel.

Pecados, desgraças e muitas maldições.
Carne, sangue, dores, lamentações.
Consigo ver, através do fogo, uma distorção.
Não há ligação no caos, presencio apenas solidão.

Algo rasga a pele, e atravessa a alma.
Feri-me em demasia, mas dessa pena não há pausa.
Não há gravidez, não há luz, nem mesmo uma faísca.
Desfrute da cegueira, da dúvida e invisíveis parasitas.
Que estupram evidentemente… tão evidentemente que não os sinta.

E não param os gritos, ruídos se tornam um acorde menor.
Espetando meus ouvidos com força inversa de ‘Cella door’.
O frio agora vem de dentro e estala meu eu a cada movimento.
Que ao monte, lágrimas escorrem de olhos brancos como um rio ao passo de congelar, petrificar, e em breve esboroar-se… (ao que nada seria à força do vento.)

Provoco bramidos, rugidos e urros de uma boca costurada.
Custa-me o fazer com a agonia que me dobra de longa data.
Onde sinto os dentes cairem garganta a dentro
E ruflo no chão tentando em vão tirar os acordamentos
Que de uma mão sem dedos desafina fora do tempo.

O gosto de fome já me formiga a roxa língua,
O hálito me sai pútrido e já sem vida,
O aborto do ventre reverbera em outros pontos do ente.
Sendo “em vão” a única idéia que lhe emerge à mente,
O resto são variações de uma sensação: dor, angústia, frutos dessa semente.

As deformações se multiplicam e a lepra me arranca a razão.
Tombam por terra os múltiplos adultérios da sensação.
O cheiro nauseante me afeta a mente.
Os terrores do corpo me afetam a mente.
Os gritos valquireses me afetam a mente.
A visão e o paladar em ilusão afetam a mente.

Tudo dentro de mim tenta ir para fora, e vice-e-versa por forçosa osmose
Mas não há sono! Descanso! Ou morte! Nessa… overdose!

Me embrulho em meu frágil íntimo.
Mas, o natural dessa realidade é demsiado cínico. (ínfimo)
Me violenta…
Me violenta.
Em frenética velocidade,
e em infinita lentidão… me abandono.

– Deus, me tire dessa matrioska última! – Não posso falar. Não posso fugir.
A fé está perdida, mas não preocupo-me, a razão também.
…/11/08
E doentiomente descubro a surdez das lágrimas.
Pois, grito e elas não cessam.
23/11/08

Anúncios

Read Full Post »

penas

Antes da chuva.

Havia uma prova de que não estava no Inferno.
Havia uma prova de que isso não era mais incerto.
Anjo, luzes, bondade.
Como dizer triângulo e três lados.
A parte do mesmo, o mesmo da parte.

Mas, havia, não a há mais. Então…
Que venha a foice, que escorra o sangue.
Que venha a terra e no fundo me plante.
Me esconda, me proteja, me zele.
Da vida, da dor, da febre, da peste.

Esta é minha e sua lápide de pedra
é onde diz: “aqui só os vermes vivem”
É como se o Sol morresse para a Terra,
E sua morte fosse a de todos, e pr’ele ibidem.

Corpos… corpos… corpos… uma infinidade.
A Terra não gira, ela está sob chamas.
O mar está seco, e o sol é uma bola de obscuridade.

Gritem! Gritem! Gritem! Não há gigante que possa ouvir
Um segundo de seu ruir e o resto do tempo por vir,
Não seriam diferenciáveis, sequer palpáveis.

Quando se tem tudo, se pode enxergar nada.
Mas, quando não se tem nada, não se tem olhos.
Não se tem a si mesmo, se está a esmo.
Errante, em desgraça, pó. Sem colo.

Quem me dera ter asas e fugir daqui,
Quem me dera quando ter asas, ter coragem.
Ah, sim. Se, mais uma vez, não fosse tarde.
E mesmo com asas a vontade é desfeita. Não batem.

Ainda sonho na beleza que podia enxergar-te.
Mas, a Beleza está no olhos de quem vê. Assim enxergo.
E não te reconheço, pois perco esta faculdade.
Que se foi contigo, A Única Prova de que não estava no Inferno.

Barro, beijo. Beijo, barro. Crença.
Não há milagres mais no mundo para a cura!
Hoje a mesa está servida da doença.
Humanos, anjos com lepra; humanos, demônios sem cura.

Os pássaros emudecem, os insetos não voam mais.
Não há mais guia para os afazeres cotidianos.
E ano a ano, se é que passou um segundo,
O mundo espera, ou já nem isso,
se isto mesmo, o pano negro me toma.
Toma a bala da perdição, criança!
Criar não é palavra para ato nenhum.
Ato nenhum para nada. Para o nada.
Paro na da mente minha que me perco.
E vejo: Chove-se penas, na lentidão de seu beijo e abraço.
Agarro-as e sinto você aqui. Vinde! É tempo! É tempo!

Há todo o tempo dos mundos em um coração…

05/11/08

Paulo Ubermensch

Vinde! É quente! A esquento!
Hão todos os calores em um coração…
Que ainda bate.

Vinde! e me abraça.

Read Full Post »