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Posts Tagged ‘Chuva’

chuva-10

[   ]

o fundo de tela é dramático
e nenhuma cor o submergia.
Esperava ansioso o sumir do Sol
e o frio que prenunciava o dia.

Nele me asperava a umidade:
O sereno sereno que esbraquiçava,
Refletindo a Lua que reflete o Sol,
O esperei seco e a noite se passa.

[…]º

O galo cantou e era difícil bater suas asas.
A janela da alma era a mesma de casa,
Em observação, sob o dia, via lumes:
Gotas d’água dispersas na depressão e no cume.

A cachoeira dos céus saiu de sua nascente,
Se choca, agora, com a vida, que a invoca.
Despeja-se toda pelo plano terrestre.
Por tudo que passa lhe transforma ou lhe dá forma.

[:;:]*

Saiu de casa e vou dançar sob a torrente destes céus.
A água engatilhada é disparada contra meu corpo nu,
E, olhando para o celeste, presencio um milagre.
Tal a beatitude do fenômeno que o enxergo a olho nu.

O arco-íris e as nuvens eram agora um só, num só momento.
As nuvens coloridas pintavam o seu quadro, sem seu pincel, sequer, encostá-lo.
A linguagem oculta da alma é desperta no agora, o próprio tempo.
E a chuva, que antes me limpava, agora me preenche. A sinto e a abraço.

Por: Paulo Übermensch
20/12/08

Santa chuva, de ti não corro,
Vou de encontro.

[¨¨¨]

(E os versos crescem com a chuva e sua santidade)

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penas

Antes da chuva.

Havia uma prova de que não estava no Inferno.
Havia uma prova de que isso não era mais incerto.
Anjo, luzes, bondade.
Como dizer triângulo e três lados.
A parte do mesmo, o mesmo da parte.

Mas, havia, não a há mais. Então…
Que venha a foice, que escorra o sangue.
Que venha a terra e no fundo me plante.
Me esconda, me proteja, me zele.
Da vida, da dor, da febre, da peste.

Esta é minha e sua lápide de pedra
é onde diz: “aqui só os vermes vivem”
É como se o Sol morresse para a Terra,
E sua morte fosse a de todos, e pr’ele ibidem.

Corpos… corpos… corpos… uma infinidade.
A Terra não gira, ela está sob chamas.
O mar está seco, e o sol é uma bola de obscuridade.

Gritem! Gritem! Gritem! Não há gigante que possa ouvir
Um segundo de seu ruir e o resto do tempo por vir,
Não seriam diferenciáveis, sequer palpáveis.

Quando se tem tudo, se pode enxergar nada.
Mas, quando não se tem nada, não se tem olhos.
Não se tem a si mesmo, se está a esmo.
Errante, em desgraça, pó. Sem colo.

Quem me dera ter asas e fugir daqui,
Quem me dera quando ter asas, ter coragem.
Ah, sim. Se, mais uma vez, não fosse tarde.
E mesmo com asas a vontade é desfeita. Não batem.

Ainda sonho na beleza que podia enxergar-te.
Mas, a Beleza está no olhos de quem vê. Assim enxergo.
E não te reconheço, pois perco esta faculdade.
Que se foi contigo, A Única Prova de que não estava no Inferno.

Barro, beijo. Beijo, barro. Crença.
Não há milagres mais no mundo para a cura!
Hoje a mesa está servida da doença.
Humanos, anjos com lepra; humanos, demônios sem cura.

Os pássaros emudecem, os insetos não voam mais.
Não há mais guia para os afazeres cotidianos.
E ano a ano, se é que passou um segundo,
O mundo espera, ou já nem isso,
se isto mesmo, o pano negro me toma.
Toma a bala da perdição, criança!
Criar não é palavra para ato nenhum.
Ato nenhum para nada. Para o nada.
Paro na da mente minha que me perco.
E vejo: Chove-se penas, na lentidão de seu beijo e abraço.
Agarro-as e sinto você aqui. Vinde! É tempo! É tempo!

Há todo o tempo dos mundos em um coração…

05/11/08

Paulo Ubermensch

Vinde! É quente! A esquento!
Hão todos os calores em um coração…
Que ainda bate.

Vinde! e me abraça.

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