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Archive for the ‘O meu lugar.’ Category

Na paisagem muda, gritei.
E, surdo, ouviu-se o silêncio.
À meia luz de uma triade sem cor
Eu juntei os sons e guardei.

Nas minhas mãos não os segurava,
Estavam seguros, soltos em algum lugar.
Um lugar quente e que tinha sede.
O cenário deserto abraçou-se a si e rimava.

Cantou-se ecos neste lugar, procurando ouvir.
Porém o ouvido foi a Si,
E, depois do Sol Lá, me encontrei parado…
Em degraus, eu, sem Dó, subi e desci.

Doce lugar, que mal degusto,
Sob um céu azul e plano.
O segurei e me agasalho ternamente…
E, enquanto me cobria, nada descubro.

Nesse lugar sem fim, avistava horizontes.
E, neles, uma banda a tocar.
As larvas viravam borboletas ao se afinarem.
E via o som tocar extremos intocáveis sem pontes.

Atrás da fonte, me pus a enfrentar obstáculos.
Pintei as estrelas no chão para vê-las melhor.
Como a água no teto para, com a luz, enxergar seu fundo…
Moldando o lugar, ouvi o modelador tácito.

E neste lugar não havia espaço.
Encontrei-me em extensão vazia.
Estava cheio de cores invisíveis,
Sons inaudíveis, uma linha sem traço.

Sentimentos insensíveis afloravam sem semente mera
Em nuvens que eram meus próprios braços.
Sentia o mais leve vento do próprio vento de minhas pernas
Não vista por um olho d’íris de céu e terra.

Na paisagem muda, fiz uma canção.
E, surdo, ouviu-se o seu eco.
À meia luz de uma triade sem cor
Eu juntei os sons e guardei no meu coração.

Mas… não me movi, eram-me a mim mesmo:
Eu e o meu lugar.
E assim se ecoou…
Ecoou…

Paulo Übermensch

12/01/08

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