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Archive for the ‘Felizmente Ninguém’ Category

 

Anjo
Em alguns dias, nosso lar não está receptivo.
Em alguns dias, nos sentimos expulsos de nossa ostra.
Em alguns dias…
Assim, queremos sair, andar um pouco,
Aproveitar da liberdade,
Se puder, até, desejaríamos voar.
E, quem sabe, nós encontremos asas neste caminho.
Mas penso ser mais difícil esta sina.
Pelo menos na maioria, o digo por experiência.
Por isso, desejo apenas caminhar.
E as surpresas que virão, serão surpresas ainda.
E poderei sorrir quando chegarem.
Mas opto por falta de opção.
Sigo a maré a esmo.
Do mesmo modo que sem bussola ainda digo “A Nordeste!”
E, lá, apareço e desapareço como a sombra de um beija-flor.
Assim, percebo na diferença do “cá” com “lá” 
Que erramos e fazemos coisas certas em ambos os lugares.
Só que o erro é uma negritude que nos percebe.
Ele está em nós e, quando não, se estica aos outros.
Podemos nos iluminar a tal ponto a não ter sombras?
Estamos preparados para esta primeira faísca?
Mas eu vos digo: “Não se preocupe.
Ninguém está.”
E ninguém mesmo.
Anjos e demônios cercam uma cabeça ociosa.
Eles se criam na velocidade em que nascemos,
Indefinidamente, como quando não temos noção do tempo.
Os mundos externos, na mente, têm asas e não têm nos esperando.
Depende da mais leve pena que pousa no lugar certo ou errado.
E somos nós que a pousamos.
Podemos soprá-la longe ou a segurar forte entre os dedos como parte de nós mesmo.
Mas… ousaremos?
De fato, não hão respostas, não hão buscas por saberes.
Porque, sequer, existem perguntas.
Já que nada é certo no mundo ao qual não estamos preparados para viver.
Ou seja, parece que nada mudou.
Subo a montanha para descer do outro lado de seu pé.
Mas esta é a “vida”, não é?
Vestir a roupa invisÌvel do rei e dizer: “estou pronto para isto”.
Mas a liberdade nos permite e chamar de belo ou atroz são outras coisas.
No entanto, só lhe dou um aviso: veja a nudez.
Enxergue-a e não sinta vergonha.
Pois, isso é que nos dá a identidade humana.
Em alguns dias, nosso lar pode não ser mais lar.
As pessoas em que confiamos podem dizer algo que nos distorce a mente.
Ou, pior em certos casos, nada dizer.
Desta maneira, a história humana aconselha a sermos detalhistas.
Podemos carregar o passado ou nos guiar para o futuro.
Porém, o pressuposto é ter os sentidos no presente.
Presente destas palavras que não são de ninguém.
Ninguém, este, que nunca esteve preparado para a vida.
Mas tem, na disposição, uma vontade por viver suas partes no modo como lhe pode.
Porque, para ninguém, é o que lhe é possível.
Segurar as mãos de (outro)ninguém, beijar (outro) ninguém.
Pois, no fim, ainda, pode haver asas no futuro.
E, em alguns dias, será “hoje” e poderei voar,
como em quando desejei sair de minha ostra.
28/01/09
Por: Paulo Ubermensch
(Poesia livre com ênfase no sentido, símbolo e na particularidade do pensamento)
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