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Archive for the ‘A Lágrima Que Não Caiu’ Category

 

Lança chamas

 

Em algum lugar, numa terra muito distante

Se encontra uma terra de essência penetrante.

Terra, esta, vazia, só planícies e sem montes.

Terra sem árvores, plana até todo o horizonte.

 

Mas, por menos que visse, sentia uma semente

Abaixo da terra, negro petróleo de repente.

Não podia tocá-la, sem antes perder a mente.

E ser o negro petróleo que não tinha frio, nem era quente.

 

Nesta terra, vasta de areia, vejo que são cinzas.

Algo foi queimado ou está queimando ainda?

Apenas, cá, estou sob a opacidade da paisagem.

E qualquer juízo não é ser, nas cinzas, miragem.

 

Há uma gravidade que traga e a força, cá, é movimento.

A árvore cresceu e vi apenas planitude, mesmo não querendo.

Mas não sentia mais semente, tomava forma e era agora raíz.

Tamanha proporção nesta terra que proclamava ser país.

 

Penetrava fundo na terra e, até, seus horizontes.

Eu não a via, mas a sentia forte, já, de longe.

Um buraco negro em ascenção que só sentia, tremia,

Engolia a terra cinza, em gula, ia… e assim ia…

 

Há tempos que continua e, ainda, me lembro de quando quis chorar.

Foi tão certo quanto as gotas da chuva, mas não caiu da terra a estalar.

Um oceano se formou nos meus olhos e, por novas lentes, enxerguei o óbvio.

Nas cinzas, uma semente que virou raíz, que não via, só sentia e, ainda, engolia era, pois, o ódio…

 

Era, pois, o ódio..

Era, pois, e, não outra coisa, a não ser, 

O ÓDIO.

 

04/02/09

 

Por: Paulo Ubermensch

 

(Rimas simulam o som do fogo em estalos e da queima constante.

Teor de rancor, morto, dolorido.)

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