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Archive for junho \27\UTC 2010

Prostituição

Hoje eu pago por prazer.
Ontem anseio por hoje.
Prazer.
Hoje.

Desejo de imediato.
Tremo, pois quero.
Imediato.
Quero.

Não sei como soltar.
Há-me tristeza.
Soltar.
Tristeza.

Quanto for eu pago.
Por um pouco de amor.
Pago.
Amor.

Mas neste instante!
Q`espero eterno.
Instante.
Eterno.

Tome, fique com o troco.
E faísque na minha vida.
Troco.
Minha vida.

Na vitrola, o novo disco.
O ouvido anseia o espetáculo, seu número.
Disco.
Seu número.

E, nesta lagoa de tristeza,
Mudo à prostituição musical.
A Tristeza
Musical.
É muda…

só se ouve…

Por: Paulo Ubermensch

18/07/09

só se percebe nos outros,
quando ouve-se o silêncio.

Ouça, hoje, o meu.

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O Poder da Fala

O suor diz: – estou cansado.
A saliva diz: – estou com fome.
O tremor diz: – estou com medo.
O fechar de olhos diz: – me beije.

O astros dizem: – estamos dançando.
A água diz: – não sou azul.
O fogo diz: – não chegue perto.
A terra diz: – eu te seguro.

O ponteiro diz: – não posso parar.
Os passos dizem um ao outro: – você primeiro.
O travesseiro diz: – não se mexa.
A comida diz: – estou esfriando.

O caixão diz: – daqui você não sai.
E o útero: – saia logo.
O ninho: – bata asas.
Então, é preciso dizer algo?

08/07/09

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Acordei como a tristeza em mim.
E, pesado, vaguei o dia todo.
A súplica muda pediu para sair
E convocou meu ânimo como morto.

Ameaçadores meus olhos estavam.
Avermelhados e prontos…e prontos…
Mas não iam… e hesitavam… e hesitavam…
A reza ecoar saída em meio a escombros.

Me cansando, me preparo e desejo sorte.
Mas de nada adianta para o que está por vir.
Pois, antes sequer da quarta estrofe
Soltei tudo e sozinho comecei a sorrir.

19/06/09

É preciso a depressão para existir a crista da onda.

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O vizinho da sua vida.

De porta em porta, um rio nos separava.
Mas do que importa se o tempo não nos agrada?
Espero pela sorte de abrirmos junto portas.
Me porto solitário a tua espera. A espera nossa.

De dentro ouço seus pés e bater porta.
Me comporto como ouvido e, pelo som, quase que roça.
Ah quem me dera, de meu porto, eu só te olhar e dar “bom dia”.
E, a partir daí, ter porta em  sincronia ao da vizinha!

Ao lado, perto, está fechada em si mesma.
E como parto sabendo de sua ausência?
No corredor ainda espero parte nesta história.
Pra, quem sabe, em harmonia, termos isso na memória.

Talvez poucos tenham entendido algo desta escrita.
Que não há porta, há metáfora desse “eu”
Pois, quando quis ser o visitante de sua vida,
Toquei a campainha e você não atendeu.

15/06/09

Por: Paulo Ubermensch

Às vezes é pedir muito ter a mesma porta.
Pois, para isso, é preciso, primeiro, ter a mesma janela.
Que entre a luz.

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