Feeds:
Posts
Comentários

Archive for julho \26\UTC 2009

 

Tempo Congelado

 

 

Sob meus, profundo, há um buraco.

Pra fora apenas terra, areia de todo lugar.

Eu procurei cobrir a fissura com trabalho,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, extensa, há uma fenda.

Pra fora apenas água, chuva de todo lugar.

Eu procurei cobrir a erosão com emendas,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

Sob meus pés, imensurável, há um vale.

Pra fora apenas plantas, grãos de todo lugar.

Eu procurei cobrir a cratera com vontade,

Mas o vento do tempo vinha ajudar.

 

E, quando o vento chegou, não havia mais canyon.

Uma montanha altíssima se mostrava com nome de Apeíron.

Assim, quem quiser descobrir os mistérios que esconde não vendo,

Descobrirá o segredo do amor enterrado pelo tempo…

 

 

27/03/09

 

Por: Paulo Ubermensch

 

E cá há onde o especial se perdeu.

Anúncios

Read Full Post »

Focinho

Quando o ódio flamejava intensamente
Eu cheguei perto e não vi nada.
Voltei e não tinha voltado.

Em seu devir, era vermelho ou amarelo
Tanto… só se foi em frente
Avançou o tempo e não existiu no presente.

A chama queimava o pavil da vela
De consumo infinito fez-se fumaça
Não achou mais um caminho, acabou-se em cera

Por Paulo Ubermensch
18/03/09

Read Full Post »

Sorriso 02

De fato, é angustiante este pecado.
Distorceu-me a vontade, mudou-lhe o próprio lado.
O silêncio lhe sufoca pela falta d’desabafo.
E árduo é o segredo. É maior que a caixa que o guardo.

É vivo e se percebe dentro do peito
Se move, se mexe. Se mobiliza sem muito jeito.
E o seio quer fugir, quer estar em outro meio.
Mas o que sente, só lhe é de seu saber, seu próprio reino.

E mais ninguém saberá de seu segredo abraçado por costelas.
Sufocado por elas, fortes brancas horizontais feito celas.
Feitas de si mesmo, de seu próprio segredo e enredo.
Entrelaçam-se a si mesmo e dão um nó que inflige medo.

O que é seu, ninguém terá e, assim, é como uma moeda,
Para dentro tem coroa e para fora mostra a cara.
Desrima-se a si mesmo, mesmo sem saber.
No rosto tem sorriso, mas por dentro a coroa é de espinhos.

O desespero abatalhe a língua que, mesmo sorrindo, não se mostra.
A corda que enforca e acorda o próprio acorde do ser, voz vossa
Não se pronuncia com a vontade e seu desejo. Assim, expõe os dentes
Entre a mente que sente os espinhos da coroa e suas sementes.

O seu pecado é ter segredos
E não sorrir de felicidade.
Pois, a poesia da vida é rimar extremos.
Rimar o que há de verdade.

Mas eu sei, ainda somos pecadores.
Ainda continuamos a pecar isso…
Mas que ninguém saiba desses horrores,
Pois, ainda estamos por atrás do sorriso…

07/03/09

Por: Paulo Ubermensch

Read Full Post »

 

 Sorriso

O sorriso é a muralha mais forte,

Aponta o sul, mas por trás ruma ao norte.

Ele esconde as lágrimas que rezam por cair,

Ele é o abraço que protege o próprio ruir.

 

Por trás do sorriso não há felicidade,

Mas esconde-se mesmo assim por vontade.

E, por hábito, sabe que tem vergonha.

Pois, chora sozinho e sorri às pessoas.

 

Só tem os olhos que o sorriso não esconde.

Esguelham-se contra a parede branca o seu “onde”.

Por isso, quando sorrimos, procuramos fechar os olhos.

A parede se estica, a janela se fecha, pois por dentro choro.

 

O inferno se esconde num popular paraíso.

E ainda escondemos coisas por trás do sorriso.

 

22/02/09

Read Full Post »