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Archive for março \29\UTC 2009

cicatriz-no-peito

O Presente Semi-breve

A mancha de sangue na camisa é pincelada poeticamente.
Não haveria ferida nesse peito atrás da mancha metafísica.
Há a pele nua desse peito, armadura forte por trás e frente.
Lança tua lança Lancelot que lhe leva e lave a mente.

É sabido sempre qu’essa situação é proeminente.
O relevo desse peito paga a risca um passado.
Penso por pensar sem descartar o especulado.
Que uma ferida lhe foi feita internamente de malgrado.

Meu Deus!
Doeu!
Não deu…

A espessa cortina de fumaça esconde algo nesse breu.
Entre nuvens brancas cheias, talvez, tu, ou, talvez, eu.
Não sei se atrás desse véu é a frente do escuro
Adiante, que nossas vidas não iluminam: o futuro.

Futuro este, que talvez espere a mancha.
Vermelha sangue que goteja só na mente.
A luz da vida tem como braços o qu’alcança.
Um limite infinito que tocamos do presente.

E vem a onda desse toque, vem a conta do mais forte.
Desce, dessa droga, outra dose, Dê se der o mais profundo desse corte.
Morte, ponto é final. Trote: a trilha de trem tal.

Presente teia me situo, sem sentir, de fato, outra cousa.
Mesmo a memória é passado só na mente e não a sou.
Não sou passado, sou ser no infinitivo do que sou.
Só para constar, com certeza, que não cousa outra um dia posso ser.

O hábito da causa-e-efeito nos reflete conseqüências.
Ficção científica esta, que previmos ser a prova
Pra valer, com pouco esforço, o costume-reticências.
Encarno aqui três pontos ou três notas.

Semi-breves se escondem no tempo em pentagrama.
Cada ato, cada nota, não há partitura para vida.
Temos clave, temos arco e braço que o tanja.
O próximo compasso é vivaz; é o mistério desta sina.

Os três pontos costuram um coração e cicatrizam o passado.
Cicatriz: meu sobrenome não o é. Nem direi de outra geração.
O Ato é de improviso, mas de vontade, neste palco.
Nele canto o mais alto que puder! Troco minha estrofe! Elevo meu refrão!

E o chamo de: vida.

13/12/08

Por: Paulo Übermensch

na sombra de sustenidos, esconde-se a escala maior..
e podemos tocá-la.

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prisao1

Deus Ex Machina

O rosto azeda-se e não há mãos para secar meus olhos.
As memórias não tem mais conexão com o presente.
Dobro-me ao meio em espasmos incontroláveis.
E não sinto dor, mas uma singular tristeza.

As fotos me cerram a boca e tremo sem um abraço quente.
A voz que vibrava meu ouvido, não vibra mais.
Está plastificado no álbum da memória,
presa, surda e muda. Intocável.

Oh meu Deus! Rogo por não pensar como um ateu!
Um desejo… Um desejo… E me ceife a alma!
O sorriso nunca se esticará com os olhos novamente.
E as mãos nunca mais darão o seu “beijo santo”.

Expiro freneticamente e não há calor para me ritmar.
A cólera enterra-me a razão…
E a cobertura é úmida e salgada.
Inspirado por um som singular e inteiramente reconhecível.

O ponto de vista; A vista do ponto.
Não sei se três ou final. Interrogo aqui.
Mas exclamo.
E por Deus! Eu exclamo em silêncio.

Enquanto a maquiagem se borra,
e da bosta nascem vermes e flores.
Arranho pétalas nas asas morenas.
E do pentagrama talvez voe uma gaivota.

Mas o sono é proveito de outrora.
E abrir os olhos é sinônimo de desequilíbrio.

Escrever assim não me deixa desafinar desse tom.
E a voz muda se comunica com eus do passado, presente e futuro.
Sei que talvez seja hora de ser como Orlando Silva.
Mas estou pesado demais.

Não haverá nada ainda como o nascer do Sol.
O rio acha sua foz.
O ponteiro se moverá.
E cá estou nesta mesma ordem.

24/11/08
Por: Paulo übermensch
01:42 am
06:20

Durma, corpo. Por favor

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samurai-de-kimono-azul

Samurai de kimono azul

Uma dia, na minha vila, que nada acontecia.
Se quebraram silêncio e as rotinas de algumas vidas.
O chão de terra já não guarda memórias desse dia.
E o nó da linha reta das lembranças se esvaia.

Nada se comparava aquele sonho. Era uma alucinação?
Alucinação coletiva! Sem nexo ou coesão.
As galinhas não lembrariam de tal emoção,
Que sentimos nós, os habitantes da minha vila, sãos.

O vento, que passava pela garganta da floresta,
Vibrava, entre os galhos, outras frases que não de tarde aquela.
As folhas amarelas se esquentavam perto das casas e árvores delas
E as montanhas sopravam duras suas rimas à favor de suas costas e quedas.

Quando toda a natureza paausou delicadamente sua respiração.
E olhou com demasiada curiosidade, com os olhos das nuvens em formação,
Com as íris de crianças e anciãos ao samurai de kimono azul em formação.
Os animais saiam de seus esconderijos para experimentar uma nova sensação.

Entrou na mudez, entre o absurdo e o fenomenal, que se deu.
Com a espada embanhada, tilintava em um tempo certo e volume que só cresceu
Um homem e um cavalo esculpidos, tão perfeitamente, que poderia ser um desafio de um ateu.
Pois. não sabia-se se era um herói ou o próprio Deus.

Ele passou em frente a casa de Matsmoto e Sakane.
Ereto e com o cavalo a desfilar poder e disciplina, ninguém ficou ao seu alcance.
Os irmãos: Yusuke e Heihachi observaram a katana de bainha azul de relance,
Olharam seus bambus e de novo o tilintar azul, e os bambus foram ao chão sem chance.

Seu cabelo e sua barba estritamente alinhados sem partir.
Exibia uma virilidade que, até então, nenhuma mulher sabia existir.
Acompanhando com o pescoço queimado e o cheiro de suor a cair.
As mulheres tentavam gravar em algum lugar a tenacidade do azul sem se nada esvair.

Nos homens não existia inveja, mas admiração e perplexidade.
Como poderiam saber, se com os costumes, não havia algo assim em vila ou cidade.
O kimono azul… O kimono azul… todos na vila tinham só cinza de verdade.
O cavalo parecia ser mais sábio que o homens e mais forte que a força e a destreza.

A poeira não ousava colidir com tamanha honra e espírito.
E enquanto já ia passando da outra saída, ou esconderijo,
O som das vozes futuras já começavam sobre tal mito
Do Samurai de kimono azul que passou pela nossa vila em direção a um crepúsculo tímido.

Mas, a lenda diz que um dia ele voltará.

24/11/08

Por: Paulo übermensch

Que é que esperas por voltar?

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tinta-bizarra

O Ser que quase foi quase.

Pascal já dizia-nos o que não somos:
Não somos inteiros espírito, nem matéria.
Somos meio a meio o que não somos.
Não alcançamos nenhuma extremidade: espírito, nem matéria.

Prazer e dor caminham muitas vezes opostamente.
Não duvido que felicidade e tristeza também não o façam.
Mas, posso negar-me o prazer absoluto para não sentir o oposto em minha mente?
Em meu espírito: A dor, a tristeza. Por si falam.

Do que me privo? Chances de medo. Medo de chances.
Quanto de impulso posso ter, se um pé ainda se apoia na beira?
Beirada, esta, de terra, pisado pelo barro caleijado de nuances.
Ponho ,por vontade, nas rédeas da razão: o desejo e a cólera.

Mas, viver é estar em vigília: não ir muito rápido, não ir muito lento?
Ser medíocre. Sorrir pela metade. Acordar pela metade. Gozar pela metade.
Doer pela metade. Gritar pela metade. Chorar pela metade.
Posso dizer que construí algo em minha vida, se nada terminei? É quase vento.

Algo inacabado não é um castelo. É algo, e ainda, inacabado.
E esse algo é minha vida. Quero dizer: esse algo sou eu.
Quero dizer: sou algo. E, ainda, inacabado.
Por quando tempo? Sim, o tempo é algo inacabado, assim como algo ou eu.

Cada dia seria tão falso quanto a manhã de uma caverna
Em noites acordado com dias de sono acumulado.
Por ser como tempo só me conjugo no infinitivo? Ou Digo que vivo? Quem dera.
Não ter sabedoria prática, muito menos auto-suficiência. Pronuncia-se um som calado.

Porém, observar isso de um ponto de vista e mente inacabados;
Não se formar pensamento, ser escravo (sem phronesis).
Quase o extinto ser inteiro, um perfeito, mas falho.
O corpo completo das abstrações composto por próteses.

Quase Deus. Quase herói. Quase um pai ou irmão. Eu quase ser…
Um ser. A não ser se me permitir ser o que talvez sempre ser.
E se, talvez, por privar a mente e olhos de ser. Eu, ainda, ser.
Mas, não entender, não ver o ser. A sim ser, o ser cego. O cego ser.

Assim, posso ser e talvez não saber; não ver, mas ser, de fato.
Como um sonho acordado. Ou um acordado num sonho.
Poesia, ou algo assim, não mais ainda… ainda… (inacabado)

(inacabado em 23/11/08)12:00
Por: Alguém não mais inacabado como Paulo Übermensch

Mas, buscando a felicidade máxima, a achou na memória.
Pois, presencia o oposto. E futuramente, nada sabe ou saberá.

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