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Archive for fevereiro \13\UTC 2009

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Inferno do Infinito

Corvos grasnam no portão do inferno.(credo)
Em que me apresento não sei ao certo,
Mas, onde o leite da mãe se torna fel
E hão apenas sombras e chamas neste enevoado céu.
É inevitável pressupor que seria esse meu cenário e papel.

Pecados, desgraças e muitas maldições.
Carne, sangue, dores, lamentações.
Consigo ver, através do fogo, uma distorção.
Não há ligação no caos, presencio apenas solidão.

Algo rasga a pele, e atravessa a alma.
Feri-me em demasia, mas dessa pena não há pausa.
Não há gravidez, não há luz, nem mesmo uma faísca.
Desfrute da cegueira, da dúvida e invisíveis parasitas.
Que estupram evidentemente… tão evidentemente que não os sinta.

E não param os gritos, ruídos se tornam um acorde menor.
Espetando meus ouvidos com força inversa de ‘Cella door’.
O frio agora vem de dentro e estala meu eu a cada movimento.
Que ao monte, lágrimas escorrem de olhos brancos como um rio ao passo de congelar, petrificar, e em breve esboroar-se… (ao que nada seria à força do vento.)

Provoco bramidos, rugidos e urros de uma boca costurada.
Custa-me o fazer com a agonia que me dobra de longa data.
Onde sinto os dentes cairem garganta a dentro
E ruflo no chão tentando em vão tirar os acordamentos
Que de uma mão sem dedos desafina fora do tempo.

O gosto de fome já me formiga a roxa língua,
O hálito me sai pútrido e já sem vida,
O aborto do ventre reverbera em outros pontos do ente.
Sendo “em vão” a única idéia que lhe emerge à mente,
O resto são variações de uma sensação: dor, angústia, frutos dessa semente.

As deformações se multiplicam e a lepra me arranca a razão.
Tombam por terra os múltiplos adultérios da sensação.
O cheiro nauseante me afeta a mente.
Os terrores do corpo me afetam a mente.
Os gritos valquireses me afetam a mente.
A visão e o paladar em ilusão afetam a mente.

Tudo dentro de mim tenta ir para fora, e vice-e-versa por forçosa osmose
Mas não há sono! Descanso! Ou morte! Nessa… overdose!

Me embrulho em meu frágil íntimo.
Mas, o natural dessa realidade é demsiado cínico. (ínfimo)
Me violenta…
Me violenta.
Em frenética velocidade,
e em infinita lentidão… me abandono.

– Deus, me tire dessa matrioska última! – Não posso falar. Não posso fugir.
A fé está perdida, mas não preocupo-me, a razão também.
…/11/08
E doentiomente descubro a surdez das lágrimas.
Pois, grito e elas não cessam.
23/11/08

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