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Archive for novembro \28\UTC 2008

penas

Antes da chuva.

Havia uma prova de que não estava no Inferno.
Havia uma prova de que isso não era mais incerto.
Anjo, luzes, bondade.
Como dizer triângulo e três lados.
A parte do mesmo, o mesmo da parte.

Mas, havia, não a há mais. Então…
Que venha a foice, que escorra o sangue.
Que venha a terra e no fundo me plante.
Me esconda, me proteja, me zele.
Da vida, da dor, da febre, da peste.

Esta é minha e sua lápide de pedra
é onde diz: “aqui só os vermes vivem”
É como se o Sol morresse para a Terra,
E sua morte fosse a de todos, e pr’ele ibidem.

Corpos… corpos… corpos… uma infinidade.
A Terra não gira, ela está sob chamas.
O mar está seco, e o sol é uma bola de obscuridade.

Gritem! Gritem! Gritem! Não há gigante que possa ouvir
Um segundo de seu ruir e o resto do tempo por vir,
Não seriam diferenciáveis, sequer palpáveis.

Quando se tem tudo, se pode enxergar nada.
Mas, quando não se tem nada, não se tem olhos.
Não se tem a si mesmo, se está a esmo.
Errante, em desgraça, pó. Sem colo.

Quem me dera ter asas e fugir daqui,
Quem me dera quando ter asas, ter coragem.
Ah, sim. Se, mais uma vez, não fosse tarde.
E mesmo com asas a vontade é desfeita. Não batem.

Ainda sonho na beleza que podia enxergar-te.
Mas, a Beleza está no olhos de quem vê. Assim enxergo.
E não te reconheço, pois perco esta faculdade.
Que se foi contigo, A Única Prova de que não estava no Inferno.

Barro, beijo. Beijo, barro. Crença.
Não há milagres mais no mundo para a cura!
Hoje a mesa está servida da doença.
Humanos, anjos com lepra; humanos, demônios sem cura.

Os pássaros emudecem, os insetos não voam mais.
Não há mais guia para os afazeres cotidianos.
E ano a ano, se é que passou um segundo,
O mundo espera, ou já nem isso,
se isto mesmo, o pano negro me toma.
Toma a bala da perdição, criança!
Criar não é palavra para ato nenhum.
Ato nenhum para nada. Para o nada.
Paro na da mente minha que me perco.
E vejo: Chove-se penas, na lentidão de seu beijo e abraço.
Agarro-as e sinto você aqui. Vinde! É tempo! É tempo!

Há todo o tempo dos mundos em um coração…

05/11/08

Paulo Ubermensch

Vinde! É quente! A esquento!
Hão todos os calores em um coração…
Que ainda bate.

Vinde! e me abraça.

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Poderia ser

borboleta-negra

Poderia ser

Há uma expressão no chão,
Uma expressão sem definição,
Colorida e, talvez, em relevo.
Algo em meio ao cinza, em forma trevo.

Por pouco não piso à arte.
Por pena a sinto, quase tarde.
De sorte a verei novamente:
A expressão no chão, que aparece em minha mente.

Se era vida ou era morte,
Se era tinta que as borrem.
Eu não saberia…
Eu não saberia…

Há um história contada no chão,
Uma história em primeira ou terceira pessoa
Algo, uma coisa, uma manifestação
De uma gota de cor na cinza lagoa.

Não houve onda, não houve nada.
Era o caos em meio a massa.
Duraria mais algumas horas,
Até ser tomada como morta.

Se era vida ou era morte,
Se era tinta que as borrem.
Eu não saberia…
Eu não saberia…

Só sei que, em meio a esse céu, poderia ser estrela
Essa expressão no chão que, por sete dias, foi borboleta.

03/11/08

Paulo Übermensch

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dancarina-saltando

A Coração

Eu sou um poeta. Disso, nunca tive dúvida.
Mas, sou um poeta que odeia a palavra.
A palavra, que é a matéria de um universo
Que tenta, em vão, transpor outro:
O do pensamento, o do sentimento et cetera.

Algumas palavras parecem confundir a gente.
Por exemplo, quando eu gosto,
Por vezes, me apaixono, e, logo, estou amando.
Parece sempre ser nessa progressão.
Às vezes, se desvia para a adoração ou obsessão possessiva.
Mas, caminha linearmente.

E acho engraçado no fato de, por vezes, um poeta ficar mudo.
Sem palavra. Não achar uma rima; Uma saída.
É a incongruência da palavra ou finitude dessa progressão
A causa da mudez de um poeta?

Pois,
Depois de amar: amo demais.
Depois de amar demais: amo muito
Depois de amar muito: amo muitíssimo.
Mas, talvez, “amor” devesse ser a máxima.
Porém, não o sinto assim.

Cada palavra deveria corresponder a seu peso, tamanho, extensão.
Mas, meu coração bombeia o sangue de um sentimento,
que nem por qualidade ou quantidade da palavra posso exprimir.

Sinto uma pressão forte.
Sinto as veias não aguentarem tamanha coisa.
Que o ar me entra falho, e sai em igual sem som.
Acho que chego ao estágio animal.

Não consigo codificar,
Talvez me falte contexto, me falte matéria-prima. Não sei.
Mas, algo me falta, disso, nunca tive dúvida.
Assim, chego ao desejo, à libido, à energia da vida.
Que no silêncio expulsa essa sensação.
Meu sentimento, ao qual não tenho palavra.
Não tenho tom; volume; som.

É como uma cor nova,
que não tem como base cores primárias.
Fosse feita, apenas, com o movimento do pincel.
é a Cor-ação.

Pois, foi feita de um pintor cego.
Que sente a cor dentro de si, não a palavra.
Mas, só conhece o comunicar da ação.
A comunicAção.
Pois, a palavra “cor” não lhe diz nada.
Não a ouve.

É, como um poeta mudo, um pintor cego,
Suas artes são transcendidas pela suas almas.
A alma livre; a alma interligada; A alma de um coração.
Tais almas, são como a de um músico surdo.
Que imagina os acordes na mente,
Algo nada abstrato que talvez nem seja som que imagine.
Mas, de seus dedos podem saí-lo, de seu sopro, de sua ação.

A vibrAção vem de seu âmago,
e dele nem pensaria em colocar o título de uma música em palavras.
Ou simples palavras para serem objeto de algum intelecto,
e pararem nessa muralha da razão.
Mas, sim, de serem levados ao tocante do ser.
Até, por palavras, mas como uma melodia.

Eu imagino um dançarino de cadeira de rodas
Ele se move: para frente, para trás, gira…
Mas… Aonde se encontra a verdadeira dança?
Aonde a graça é nítida até a um cego?
É aonde os passos não são passos de verdade,
Mas, as passagens, que dá, são de comover o espetacular.

Nossa mente seria como um lago, que ao tocante de um extremo
Se comunica com o todo através de ondas
E, com as palavras, as ondas se limitariam ao cerco do significado?
A idéia pura viria antes do falar? Depois da sensação?
Já me toma o corpo sem tempo e, para além do espaço, meu íntimo.

Algo se manifesta, se faísca na mente por alguns milésimos de segundo.
Reverbera-me como um acorde, e na memória o posso sentí-lo novamente
No limite do ser, dado que faço parte de um corpo limitado,
e não que meu corpo limitado faça parte de um ser ilimitado.

Mas, não importa, talvez nunca o saiba.
O importante é que nessa dança eu não lhe posso pisar o pé
Que nessa música não lhe possa desafinar,
E falhar o tempo para o músico e o dançarino,
Assim, finalmente, pincelar as cores da imaginAção.

Pois, desse ciclo soberbo a verdadeira arte é feita,
A estrofe Haikai se completa,
Em uma frase sem as “vírgulas” da abstração, de palavras,
Algo me atravessa, demasiadamente amiude, como o logos de Haráclito,
Que penso ser eu próprio.
E não sei se a arte me faz lembrar que estou vivo,
Ou se é ela que me faz viver.

Que, até, quando, seus braços me abraçam,
Os perceba como arcos de violino, vibrando-me as cordas, as notas do Ser.

Paulo Ubermensch 23/10/08

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velho-violino-01

O Espetacular

As gotas se chocam à madeira negra,
se infiltram nas teclas brancas e pretas.
E, essa paisagem não é lenta, é frenética.

O chiado da cachoeira é uma chuva pesada, mas de vida,
que provoca um som oco na caixa do piano,
a qual é achada a voz de dedos, nuances da alma.

As cordas vibram com vivacidade e a orquestra está feita.
Um velho… Mas, não um idoso decrépito. Mas, sim, senhor.
É o maestro e dono das mãos que transpõem seu espírito.

Com movimentos de cabeça, em que fios brancos dançam
no mesmo tom das notas, no possível da umidez,
aveludavam a acústica da rocha que ecoava a um ouvido surdo do ambiente.

Os dedos e as gotas caem na mesma força e velocidade.
E a natureza percusionava esse ritmo.
Ela entendeu o recado, e desse dueto a composição foi feita.

“A melodia das mil mãos” era uma música para você e para si.
De si e de você, era um espelho, a expressão do viver.
Assim, o marfim, enfim, era pressionado num frenesi fantástico.

Havia linguagem, mas não havia palavra.
O estado de natureza se comunicava com o planeta.
E, onde a ordem era um caos disfarçado, nasceu os seres.

Essa fantasia era fenomenal, uma rapsódia livre!
Assim, quando o homem se fez em igual à natureza… e a música pausou.
A cachoeira ria com suas gotas de alegria.
E, em vez de palmas, sorriu-se um arco-íris.

[Cumprimento cordial]

[Fecham-se as cortinas d’água]

Paulo Ubermensch 17/09/2008

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sorriso-jovem

O Dia Depois de Ontem.

Como seria o dia depois do dia mais feliz de minha vida?
Acho que seria algo como a ressonância do som que reverbera na mente mesmo ainda depois de dormir.
Um estado num nível acima do normal entre o sonho e o prazer.
Satisfação.
Nesse dia pensaria com convicção “posso morrer hoje que não reclamaria”.
Não por ter conquistado o que queria, ou algo assim.
Mas, por estar dopado ainda do dia que se passou.
Nesse dia dormir e ficar acordado já não se distinguem.
E toda coisa que faço é comparada com o ontem.
Não! Comparada não, lembrada…
As linhas dessa teia ainda pulsam a aranha anestesista.
Talvez um veneno bom.
Talvez o melhor dos venenos!
Mas, que mais parece os de que são na dose certa para a cura.
A cura da minha angústia, das minhas dúvidas.
E…
Estou feliz.
Nem parece que foi verdade. Outro sonho ou ilusão.
A divisão que tinha como parâmetro, limite
Atravessei e não reparei diferença, mudança.
Algo modificou.
Fui eu e foi sutilmente.
Tirei de minha chama, fumaça.
E só respirei… Não respirava.
Mas, a memória faz disso, o passado, o mais intocável tangível que existe.
Pois, posso pensá-lo, mas nada posso fazer como no presente.
E me acostumo, como já me acostumei, assim também o dia que passou.
Ainda esboço ou sinto a musculatura de um sorriso que breve se esvaiu.
Nenhum incômodo me vêm à mente, não é como se não existissem, mas se não concidissem com meu tom.
Todos os atos, passivos ou ativos, são como hábitos, tão evidentes que passam desapercebido à cognição.
Nem sombra, nem vulto, um humano que seja.
Presencio ao que acho ser os últimos momentos de um homem,
E o sentirei apenas hoje e antes de meu fim.
Se não, só o saberei, de meu engano, em meu leito de morte.

Mas, hoje, estou feliz.

Paulo Ubermensch 10/09/08

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tunel1

MI-La-G-Re

Sim, hoje eu espero um milagre…
Que nasça do suor que secou em meu rosto.
Sim, hoje eu espero na cidade…
Que seja fruto do que planto em meu horto.

Mas, a realidade insiste em me esmurrar.
Em arrancar todos os meus dentes.
Mas, a realidade persiste em mergulhar.
O que eu um dia receava de todo coração ser presente.

O tempo quando passa parece arame,
Me da um abraço farpado e me faz sangrar lentamente.
O vento enquanto passa parece madame,
Me faz querer sentir cada curva, ao longe bem caliente.

Me convém ser platônico pelos ematomas reais,
Que mal enxergo que o que parece perto, é distante.
Me provém ser errôneo, e ser equivocado demais,
Que bem enxergo meu limite de perto, e não é tão grande.

Quantos planos A’s falharão, e B´s improvisarei?
Para serem A’s de novo até chegarem a letra Z.
Quantas batalhas haverão, e vitórias cantarei?
Para não ser eu que rirei por último outra vez.

Oh, hoje rezo para todos os Deuses, invoco shamans e vodoos.
Cansei de nadar um pouco, será que as ondas me levarão às rochas?
Oh, hoje prezo por mim serei tutsi e hutu.
Cansei de correr um pouco, será que os caçadores me acenderão às tochas?

Nesta sala de pacientes onde eles pegam suas senhas,
Esperança não acompanha o destino, destes que de sonho vivem ao ouvir seus nomes.
Nesta sala de espera onde eu pego minha senha,
Paz não acompanha o destino, destes que de sonho estavam com fome.

A esperança pode até morrer por última,
No final, na metade ou seu terço.
Mas, quão desgraçado devo ficar até depender apenas dela,
E não de mim mesmo?

Sim, hoje eu só espero um milagre…

09/02/08
02:57 am

Por: Paulo Ubermensch
4 notas…

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Entre margens…

galo

Entre margens…

Reparo do outro lado do rio uma raposa,
Em repouso, reparamo-nos mutuamente.
Olho no olho alheio,
Lustres no céu iluminam
As lâminas nas costas frente a este momento se ilustram…

Algemas de concreto
prendem sonhos que não se concretizam.
Senhor daquele oh manufaturador do piano,
Que com suas mãos presas capturadas pelo capitão.
Toca gancho, tocam dedos,
Frente a prancha, bate o medo.

E, repito, o apito das notas movem as águas.
Igual àquelas novas tropas entricheiradas
De peixes, estranhos, como a guarda-costas da entrada.
Extrema Lua que reflete a estampa do outro lado do rio como prata.

E reflito o desforme, o reflexo metamorfósico.
Eu, “Eu”? Tu, ele, quem?
Serei núcleo ou ligação de
Linhas ocupadas de idéias procariontes.

Na pedra que respinga não reparo mais.
Sou marginal por viver entre margens,
Ou Desgraçado por nunca ser lá de graça?

Sou coisa que o valha.

Como agulha do palheiro me procuro,
Preocupado sem querer um furo,
Ah, água dura! Pedra mole!
“Não seguimos as mesmas teclas” diria Freud.

Pois, pondero petrificado na raposa forte e bela,
Nesse triângulo, Eu, rio, um pouco da vida – dela.

“Imagine” é o qu’é lido,
Do lado da minha margem.
E o que assovia o solteiro som
Que dança sem falha entre folhas.

Agora imagine se essas margens não tivessem que se juntar,
Pois, são cordas do mesmo instrumento.
Estou sobre, e tu sob as águas,
Em que eu caminho neste momento.

Somos inverso, somos o mesmo.

Com Ambiguidades à parte,
E metáforas a vontade.

Poderei ter nome,
E Ser pela única vez, SER…

Tu, e Eu.

Tocarmos um Sol Maior pra recolher os sonhos
Da padaria que o galo ja cantou!

Mais uma vez…
MAIS UMA VEZ…
Do entre margens e sem pressa de chegar a lugar algum,

Pois, já sou.
E, já estou.
Para sempre…

18/11/07

Por: Paulo Ubermensch

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