
O Sol, longe, um dia queimava-nos.
Isso um dia eu ouvi dizerem. Acreditei.
Farol cósmico que, um dia, alertava-nos
O amanhecer que me protegia. Acreditei.
Um dia, proteção maior não houve
que arranhasse o céu e quase o Sol.
As garras cresciam e não houve quem pode…
Não houve quem pode contra isso, só.
O horizonte, antes azul, agora é concreto.
É certo que estamos protegidos.
Que estamos numa trincheira, buraco certo.
Mas estamos, escondidos, vivos?
Os formigueiros se erguem com força infinita.
O horizonte é coberto e o Sol que
Antes era amanhecer agora é apenas meio-dia.
Guardo os óculos escuros nesta estrofe.
Pois, de tanto me proteger.
Esqueci que é sem armadura que um dia vi beleza.
Que sentimos o calor, além de lentes negras.
Que tocamos os outros, o céu e o Sol de cada um.
Então, tire seus óculos e deixe-me ver seus olhos.
Se adapte também à nudez de um horizonte concreto.
23/07/09
Olho por olho e logo o mundo estará com um sorriso.